Como mapear o risco de burnout dos colaboradores na prática?
- Access Segurança e Saúde Ocupacional
- há 2 dias
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Nos últimos anos, a síndrome de burnout deixou de ser apenas um tema relacionado à saúde mental e passou a fazer parte das discussões sobre saúde ocupacional dentro das empresas.
Com a atualização da NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), muitas organizações começaram a se fazer a mesma pergunta:
Como identificar, na prática, se existe risco de burnout dentro da empresa?
A primeira coisa que precisa ficar clara é que a empresa não é responsável por diagnosticar burnout. Esse é um papel médico.
O que cabe à organização é identificar fatores de risco que possam contribuir para o adoecimento dos colaboradores e adotar medidas preventivas para reduzir esses impactos. E isso começa muito antes de alguém receber um diagnóstico.

O primeiro passo é entender onde o risco de burnout pode estar maior
Nem todas as áreas da empresa estão expostas ao mesmo nível de pressão.
Existem funções que naturalmente lidam com maior cobrança por resultados, demandas urgentes, contato constante com clientes ou jornadas mais intensas.
Por isso, o mapeamento deve começar pela identificação dos setores mais vulneráveis ao risco de burnout.
Alguns exemplos são:
equipes com metas agressivas;
cargos de liderança;
áreas com alta pressão por produtividade;
atendimento ao público;
equipes com déficit de pessoal;
funções que acumulam responsabilidades;
setores com histórico de alta rotatividade.
Antes de procurar sinais individuais, vale a pena olhar para a própria estrutura da operação.
O burnout não aparece de repente.
Antes do afastamento, costumam existir sinais que passam despercebidos na rotina da empresa. Identificá-los cedo faz toda a diferença.
Os indicadores já podem estar dentro da empresa
Muitas vezes, os sinais de alerta não estão escondidos. Eles já aparecem em relatórios e indicadores que a empresa acompanha diariamente.
O problema é que esses dados costumam ser analisados de forma isolada.
Aumento de afastamentos, crescimento no número de atestados médicos, faltas frequentes, pedidos de desligamento e queda de produtividade podem indicar que algo não está funcionando bem.
Quando esses fatores começam a se concentrar em uma mesma equipe ou área, é importante investigar mais profundamente.
Nem todo aumento de absenteísmo está relacionado ao burnout. Mas ignorar esses sinais também pode fazer com que problemas maiores passem despercebidos.

Ouvir os colaboradores faz parte do processo
Nem tudo aparece em planilhas.
Muitas vezes, os primeiros sinais surgem nas conversas do dia a dia, nas reclamações recorrentes ou na percepção das próprias equipes sobre o ambiente de trabalho.
Por isso, pesquisas de clima, entrevistas individuais, grupos de discussão e canais de escuta podem ajudar a identificar situações que os indicadores não conseguem mostrar.
Questões como:
sensação de sobrecarga;
pressão constante;
falta de apoio da liderança;
excesso de demandas;
dificuldade para conciliar atividades;
conflitos internos;
falta de reconhecimento;
costumam aparecer antes que os impactos se tornem mais graves.
Quanto mais cedo essas informações forem identificadas, maiores são as chances de atuar de forma preventiva.
